A classificação de risco atribuída por agências especializadas às cotas de fundos de investimento em direitos creditórios, segundo a ID CTVM, funciona como uma referência técnica independente para investidores institucionais na avaliação de novas operações de crédito estruturado
A atribuição de rating por agências de classificação de risco especializadas é uma prática cada vez mais recorrente em operações de crédito estruturado no mercado brasileiro, especialmente em fundos de investimento em direitos creditórios voltados a captar recursos de investidores institucionais que costumam adotar políticas de investimento vinculadas a patamares mínimos de classificação de risco. Essa avaliação, realizada por metodologias próprias de cada agência, busca estimar a probabilidade de perda esperada para cada classe de cota emitida por um fundo, considerando fatores como a qualidade de crédito da carteira de recebíveis, a estrutura de subordinação adotada e a solidez dos demais mecanismos de proteção presentes na operação.
O processo de atribuição de rating costuma envolver uma análise detalhada tanto dos aspectos jurídicos da estrutura, como a validade da cessão de direitos creditórios e a robustez da documentação contratual, quanto dos aspectos quantitativos relacionados ao histórico de performance da carteira e às premissas utilizadas na modelagem de fluxo de caixa da operação.
Metodologia considera múltiplas camadas de proteção estrutural
As metodologias empregadas pelas principais agências de classificação de risco atuantes no mercado brasileiro de crédito estruturado costumam avaliar, de forma combinada, diversas camadas de proteção presentes em uma operação, incluindo o nível de subordinação de cotas, a existência de reservas de liquidez, os critérios de elegibilidade de recebíveis estabelecidos no regulamento e o histórico de inadimplência observado em carteiras com características semelhantes. Essa análise multifatorial busca capturar, de forma abrangente, os diferentes riscos aos quais cada classe de cota está exposta ao longo da vida da operação.
Para Saudir Filimberti, diretor da ID CTVM, a atribuição de rating por uma agência independente agrega um elemento relevante de credibilidade técnica às operações de crédito estruturado, especialmente para investidores institucionais que não dispõem de capacidade interna para realizar uma análise igualmente aprofundada de cada nova oferta disponível no mercado.
“O rating não substitui a análise própria que um investidor institucional deve realizar antes de alocar recursos em uma operação de crédito estruturado, mas funciona como uma referência técnica adicional, elaborada por uma metodologia consistente e comparável entre diferentes operações. Isso é particularmente útil para investidores que avaliam simultaneamente diversas alternativas de alocação e precisam de um parâmetro relativamente padronizado para comparar o perfil de risco entre estruturas distintas”, afirma o executivo.
A ID CTVM atua como administradora fiduciária de fundos estruturados com e sem rating atribuído por agências especializadas, fornecendo às agências de classificação, quando aplicável, as informações técnicas necessárias para a correta avaliação de cada operação sob sua administração.
Monitoramento contínuo pode resultar em revisão da classificação original
A atribuição de rating não se encerra no momento da estruturação da operação, sendo objeto de monitoramento contínuo por parte da agência responsável ao longo de toda a vida do fundo. Esse acompanhamento periódico pode resultar em revisões da classificação originalmente atribuída, para cima ou para baixo, conforme a performance efetiva da carteira se distancie das premissas originalmente utilizadas na análise, situação que costuma ser comunicada de forma transparente ao mercado por meio de relatórios específicos divulgados pela agência responsável.
Uma eventual revisão negativa de rating costuma ser acompanhada de uma justificativa técnica detalhada, explicitando os fatores que motivaram a mudança de classificação, informação relevante tanto para cotistas já alocados na operação quanto para investidores que avaliam uma potencial alocação futura naquele mesmo fundo. Gestores mais experientes costumam manter um diálogo próximo com as agências responsáveis pelo monitoramento de suas operações, de forma a antecipar eventuais preocupações técnicas antes que se traduzam em uma revisão formal de classificação.
Nem toda operação de crédito estruturado conta com rating atribuído
É importante destacar que a atribuição de rating não é uma exigência regulatória obrigatória para a estruturação de um fundo de investimento em direitos creditórios no Brasil, sendo uma escolha do gestor e do estruturador da operação, geralmente motivada pela necessidade de atender a políticas de investimento específicas de determinados investidores institucionais. Fundos direcionados a um público de investidores qualificados com maior capacidade técnica de análise própria podem, em alguns casos, optar por não incorrer no custo adicional associado à contratação de uma agência de rating, especialmente em operações de menor porte ou com estrutura de recebíveis já bem compreendida pelo mercado.
Perspectivas para o uso de rating em fundos de recebíveis
Com a indústria brasileira de crédito estruturado ampliando sua base de investidores institucionais, a tendência é que a demanda por classificações de risco elaboradas por agências independentes siga crescendo, especialmente em operações de maior porte voltadas a um público mais amplo de investidores. Para administradores fiduciários especializados, a colaboração técnica com agências de classificação de risco deve continuar sendo um elemento relevante para sustentar a credibilidade e a transparência da indústria de crédito estruturado perante o mercado.
Sobre a ID CTVM
A ID CTVM é uma instituição especializada em infraestrutura para o mercado de capitais, com serviços de administração fiduciária, custódia, escrituração, controladoria e distribuição de fundos de investimento. Fundada em 2020, a companhia reúne atualmente mais de 550 fundos e mais de R$ 50 bilhões sob administração e custódia, com presença relevante em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs. Combinando tecnologia, governança, conhecimento regulatório e eficiência operacional, a ID oferece suporte a gestores, investidores, empresas e demais participantes do mercado, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e transparentes.