Kantar BrandZ mostra três marcas ultrapassando o trilhão de dólares ao mesmo tempo, além de Zara superando a Nike e Hermès superando a Louis Vuitton.
O ranking Kantar BrandZ 2026 das cem marcas globais mais valiosas trouxe um marco histórico para o mercado de branding mundial. Pela primeira vez, três marcas ultrapassaram simultaneamente a casa do trilhão de dólares em valor: o Google, avaliado em US$ 1,5 trilhão, a Microsoft, com US$ 1,1 trilhão, e a Amazon, com US$ 1 trilhão, juntando-se à Apple, que já ocupava essa faixa e aparece avaliada em US$ 1,4 trilhão. O levantamento, divulgado em 14 de maio deste ano pela consultoria global de inteligência de marcas, aponta que o valor combinado das cem marcas mais valiosas do planeta chegou a US$ 13,1 trilhões, alta de 22% em relação ao ano anterior.
Esse resultado consolida uma tendência que a própria Kantar já vinha observando em edições anteriores do estudo: mesmo em um cenário de negócios cada vez mais competitivo e fragmentado, marcas fortes continuam sendo um dos ativos mais resilientes para sustentar receita e crescimento de longo prazo. O relatório também chama atenção para o fato de que o limite mínimo de valor necessário para entrar no top 100 global atingiu o patamar mais alto da história do levantamento, o que intensifica a disputa entre empresas que buscam reconhecimento internacional de marca.
A volta por cima do Google e o novo topo do ranking
O destaque da edição foi justamente a retomada da liderança global pelo Google, que cresceu 57% em valor de marca e voltou ao topo do ranking pela primeira vez desde 2018, encerrando um reinado de quatro anos consecutivos da Apple na posição. Segundo a Kantar, o avanço da companhia está diretamente ligado à integração do assistente Gemini aos seus principais produtos, à expansão de recursos de busca interativa e a investimentos contínuos em infraestrutura de data centers, movimentos que reposicionaram a marca diante de um consumidor cada vez mais habituado a interações mediadas por inteligência artificial.
A Apple, mesmo perdendo a primeira posição, segue como uma referência de estudo de caso para o mercado de branding. A marca segue avaliada em US$ 1,4 trilhão e, segundo a Kantar, ainda ostenta a maior taxa de crescimento acumulada em vinte anos de ranking, além de ter sido a primeira marca da história a ultrapassar a casa do trilhão de dólares em valor. A companhia também aparece como a marca mais valiosa pelo quarto ano consecutivo até a edição anterior, o que reforça o quanto sua estratégia de diferenciação em torno de ecossistema de produtos e experiência de uso segue funcionando como referência para outras marcas de tecnologia.
Também chamou atenção o desempenho da Nvidia, que aparece na quinta posição do ranking global, avaliada em US$ 814,9 bilhões, após um crescimento de 60% em relação ao ano anterior. O avanço da fabricante de chips ilustra outro ponto relevante para quem observa o mercado global de marcas: em plena corrida por inteligência artificial, empresas que fornecem a infraestrutura computacional por trás dos modelos generativos vêm acumulando valor de marca tão rápido quanto, ou até mais rápido do que, as próprias marcas de assistentes conversacionais voltadas ao consumidor final.
A disputa entre marcas tradicionais de moda e luxo
Um dos capítulos mais simbólicos do ranking deste ano aconteceu no setor de vestuário. A espanhola Zara, do grupo Inditex, subiu para a 66ª posição global, avaliada em US$ 44 bilhões, e ultrapassou a histórica líder do setor, a Nike, que caiu para a 69ª posição com US$ 41 bilhões. Para a Kantar, o motor por trás da virada foi a capacidade da Zara de orquestrar experiências de compra personalizadas em escala industrial, unindo tecnologia à operação física e digital em milhares de lojas ao redor do mundo, enquanto a Nike concentrou boa parte de sua aposta experiencial em um número mais reduzido de vitrines.
No segmento de luxo, o mesmo tipo de virada aconteceu entre a Hermès e a Louis Vuitton. A grife francesa Hermès assumiu a liderança do setor na 22ª posição global, avaliada em US$ 113 bilhões, superando a Louis Vuitton, que aparece na 32ª posição com US$ 87 bilhões. A Kantar atribui o resultado a um compromisso de longo prazo da Hermès em ampliar a conexão com públicos diversos, incluindo a contratação da estilista britânica Grace Wales Bonner como a primeira mulher negra a comandar a criação da grife, decisão que reforçou a percepção de renovação da marca sem abrir mão da tradição associada ao seu nome.
Já no setor de serviços financeiros, bancos tradicionais como o Chase e o HSBC também registraram avanços expressivos no ranking deste ano, sustentados por relações de confiança construídas ao longo de décadas com seus clientes. Para a Kantar, esse desempenho mostra que, mesmo em um mercado dominado pela discussão sobre tecnologia e inteligência artificial, marcas de setores mais tradicionais continuam conseguindo crescer quando conseguem comunicar de forma consistente atributos como segurança, estabilidade e relacionamento de longo prazo com o cliente.
O papel das marcas asiáticas e da América Latina no ranking
Outro ponto de destaque da edição 2026 foi o avanço das marcas chinesas, que passaram a representar 23% de todo o ranking global. Nomes como Tencent, Alibaba e Xiaomi figuram entre os destaques do levantamento, em um movimento que a Kantar associa à velocidade de execução dessas companhias e à sua capacidade de antecipar mudanças no comportamento do consumidor antes mesmo de esperar por dados completos sobre essas transformações. Segundo a consultoria, esse padrão chinês de agir rápido diante de sinais ainda incompletos do mercado tem sido um diferencial competitivo importante frente a marcas ocidentais mais tradicionais.
Já a América Latina segue com apenas uma representante entre as cem marcas mais valiosas do mundo: o Mercado Livre, que ocupa a 49ª posição, avaliado em quase US$ 54,9 bilhões. A companhia, com operação dominante no mercado brasileiro, é destacada pela Kantar por integrar em uma única arquitetura de marca serviços de e-commerce, mídia de varejo, logística própria e serviços financeiros por meio do Mercado Pago. A presença solitária da empresa no ranking global reforça que ainda existe uma janela competitiva em aberto para outras marcas latino-americanas conquistarem reconhecimento internacional em valor de marca.
O relatório deste ano também resgatou um dado histórico relevante para quem estuda construção de marca: desde o início do ranking, em 2006, marcas que se reinventaram ao longo do tempo foram responsáveis por 71% de todo o valor incremental gerado pelo conjunto das cem principais marcas do mundo. Esse número reforça, na prática, um argumento cada vez mais comum entre profissionais de marketing: a capacidade de uma marca se transformar ao longo dos anos, sem perder a conexão com o público que já conquistou, tende a pesar tanto quanto a inovação de produto na hora de sustentar valor de marca no longo prazo. Para o mercado global de branding, o ranking de 2026 deixa como principal legado a constatação de que reinvenção constante deixou de ser diferencial e passou a ser condição básica de sobrevivência entre as marcas mais valiosas do planeta.
Fontes consultadas: https://propmark.com.br/kantar-brandz-2026-google-retoma-lideranca-global/ https://www.kantar.com/brazil/inspiration/marcas/quais-sao-as-marcas-mais-valiosas-do-mundo-em-2026 https://www.promoview.com.br/kantar-brandz-2026-experiencia-marcas-valiosas/