Itaú segue como a marca mais valiosa do Brasil, aponta ranking da Kantar

Diego Velázquez
Diego Velázquez

Levantamento BrandZ Brasil mostra bancos e cervejas no topo da lista, com fintechs e locadoras de veículos entre as novidades do ranking.

O setor financeiro segue dominando o topo do ranking das marcas brasileiras mais valiosas. Na mais recente edição do estudo BrandZ Brasil, divulgada pela Kantar, o Itaú aparece como líder isolado, com valor de marca avaliado em US$ 7,4 bilhões, o equivalente a 9% de todo o valor somado das 50 marcas que compõem o levantamento. A posição de destaque do banco não é novidade: a instituição já ocupa o topo do ranking havia alguns anos, sustentada por uma combinação de alta demanda, presença em diferentes canais de atendimento e investimento constante em campanhas de marketing.

O estudo, apresentado por Milton Souza, diretor-geral da divisão de Insights da Kantar no Brasil, ao lado de Miguel Cypriano e Wanessa Muñoz, também detalhou a metodologia usada para chegar aos resultados. O levantamento combina análise financeira rigorosa de cada empresa ao longo do ano com pesquisas diretas de percepção junto a milhares de consumidores brasileiros, metodologia semelhante à aplicada pela Kantar em outros países onde o BrandZ também é produzido. Ao todo, a edição brasileira reuniu opiniões de mais de dez mil entrevistados sobre quase 400 marcas, distribuídas em 27 categorias diferentes de produtos e serviços.

Completam o top cinco do ranking a cervejaria Brahma, avaliada em US$ 6,6 bilhões, a Skol, com US$ 5,8 bilhões, a operadora Claro, com US$ 5,7 bilhões, e o banco digital Nubank, avaliado em US$ 4,5 bilhões. Juntas, as 50 marcas que integram o levantamento somam US$ 82,8 bilhões em valor de marca, um crescimento de 4% em relação à edição anterior do estudo, resultado considerado positivo pela Kantar em um cenário de economia ainda marcado por inflação e desemprego elevados no período analisado.

Bancos e fintechs dividem espaço no topo do ranking

Um dos aspectos mais relevantes do levantamento é a força do setor financeiro como um todo dentro do ranking brasileiro. Além do Itaú e do Nubank, o Bradesco aparece na sexta posição, avaliado em US$ 4,3 bilhões, ainda que tenha recuado três posições em relação à edição anterior do estudo. Ao todo, onze marcas ligadas a serviços financeiros aparecem entre as 50 mais valiosas do país, respondendo por cerca de 30% de todo o valor do ranking, o que evidencia o quanto o setor bancário segue central na economia brasileira mesmo diante da chegada acelerada de fintechs digitais.

Essa disputa entre bancos tradicionais e novos entrantes digitais também aparece na lista de estreias do ranking. Além do crescimento do Nubank, marcas como PagBank e C6 Bank entraram pela primeira vez entre as 50 mais valiosas do país, reforçando como a digitalização dos serviços financeiros vem acelerando investimentos em tecnologia e em comunicação de marca. A SulAmérica também apareceu entre as novidades da edição, evidenciando que o movimento de digitalização não fica restrito a bancos, alcançando também seguradoras que buscam se aproximar de um público cada vez mais habituado a resolver questões financeiras pelo celular.

Mesmo diante do avanço das fintechs, bancos tradicionais como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal seguem presentes no ranking, ocupando posições intermediárias na lista. Segundo a Kantar, a permanência dessas instituições entre as marcas mais valiosas do país não chegou a surpreender os analistas responsáveis pelo estudo, já que bancos públicos e tradicionais ainda concentram parte relevante da base de clientes bancarizados no Brasil, mesmo em um momento de forte migração de correntistas para bancos digitais.

As novidades fora do setor financeiro

O ranking também trouxe estreias relevantes fora do universo bancário. A locadora de veículos Localiza chegou diretamente à oitava posição do levantamento, avaliada em US$ 3 bilhões, um resultado que reflete o crescimento do setor de mobilidade e locação no país nos últimos anos. Outras duas locadoras, Movida e Unidas, também entraram no ranking pela primeira vez, disputando espaço em uma categoria que a Kantar passou a acompanhar com mais atenção diante do crescimento da frota de veículos alugados no Brasil.

Marcas de consumo tradicionais também mantiveram presença relevante na lista, com destaque para a Havaianas e para a Leão, esta última ligada ao segmento de bebidas e alimentos. Do ponto de vista de responsabilidade socioambiental, a Kantar destacou a Natura como a marca brasileira mais bem avaliada em compromisso ambiental dentro do ranking, um reconhecimento que reforça como a empresa de cosméticos consolidou ao longo dos anos uma identidade associada à sustentabilidade, tema que tem ganhado peso crescente na percepção do consumidor brasileiro sobre marcas de higiene e beleza.

Segundo a Kantar, quatro fatores ajudam a explicar por que algumas marcas conseguem crescer mais do que outras dentro do ranking brasileiro: a exposição, ou seja, a facilidade com que o consumidor encontra e reconhece a marca, a boa memória de comunicação construída ao longo do tempo, a comodidade oferecida em cada ponto de contato e a experiência entregue de fato ao consumidor. A avaliação da consultoria é de que, embora a maioria das marcas do top 50 já apresente bons resultados nos três primeiros fatores, a experiência do consumidor ainda é o atributo com maior potencial de exploração entre as marcas brasileiras nos próximos anos.

Para Milton Souza, o resultado deste ano reforça a resiliência das marcas nacionais mesmo em um cenário econômico ainda desafiador. Segundo o executivo, <cite index=”65-1″>dezenove marcas aumentaram seu valor neste ano, mostrando uma retomada de crescimento similar aos tempos anteriores à pandemia</cite>. O comentário resume bem o momento vivido pelo mercado brasileiro de marcas: mesmo diante de incertezas macroeconômicas, empresas que mantiveram investimento consistente em construção de marca e em relacionamento direto com o consumidor conseguiram sustentar ou até ampliar seu valor de mercado ao longo do período analisado pelo estudo, o que reforça a mensagem central da Kantar de que investir em marca continua sendo uma estratégia eficaz de proteção em momentos de instabilidade econômica.

Fontes consultadas: https://www.meioemensagem.com.br/marketing/kantar-brandz-2024-itau https://adnews.com.br/post/kantar-brandz-revela-as-50-marcas-brasileiras-mais-valiosas https://www.kantar.com/campaigns/brandz/brazil

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