Empresa lança novo guia para preparar marcas e varejistas para uma era em que assistentes e agentes de IA participam diretamente da descoberta, recomendação e compra de produtos.
A Microsoft Advertising apresentou nesta sexta-feira, 21 de agosto de 2026, uma nova estratégia para ajudar empresas a se prepararem para o avanço do chamado comércio agêntico, modelo em que sistemas de inteligência artificial deixam de atuar apenas como ferramentas de pesquisa e passam a participar ativamente das decisões de compra. O novo playbook “Prepare for the Age of AI Shopping” orienta marcas, varejistas e anunciantes sobre como tornar produtos mais fáceis de serem encontrados, compreendidos e recomendados por assistentes de IA. (Microsoft Advertising)
A mudança representa um desafio importante para a publicidade digital. Durante décadas, marcas construíram campanhas pensando principalmente em pessoas: imagens atraentes, vídeos, slogans, posicionamento e storytelling ajudavam a conquistar a atenção do consumidor. No comércio intermediado por IA, entretanto, outro elemento ganha importância: dados estruturados e atualizados sobre os produtos. Segundo a Microsoft, agentes precisam compreender informações objetivas para comparar opções e decidir quais itens apresentar ao consumidor. (Microsoft Advertising)
Dados apresentados pela própria Microsoft ajudam a dimensionar essa transformação. Citando levantamentos da Adobe Analytics, a companhia afirma que visitantes encaminhados por experiências de IA apresentam taxa de conversão 42% superior à do tráfego que não vem de IA. Pesquisa da Microsoft Advertising também indica que 72% dos consumidores consultados esperam experiências de compra auxiliadas por inteligência artificial nos próximos 12 meses. (Microsoft Advertising)
Marcas precisam ser compreendidas pelas inteligências artificiais
O novo cenário significa que não basta uma empresa aparecer bem posicionada diante do consumidor. Ela também precisa fornecer informações que permitam aos sistemas de IA entender exatamente o que vende. A Microsoft argumenta que catálogos completos e dados estruturados tornam-se ativos importantes de marketing porque alimentam sistemas responsáveis por selecionar e recomendar produtos. (Microsoft Advertising)
Se determinadas informações estiverem incompletas ou desatualizadas, uma marca pode não apenas perder posição em uma recomendação, mas acabar excluída das opções consideradas pelo agente. Dessa forma, preço, disponibilidade, descrição, características e outras informações comerciais passam a influenciar diretamente a visibilidade dentro das experiências de compra baseadas em inteligência artificial. (Microsoft Advertising)
É uma transformação que aproxima marketing, comércio eletrônico e tecnologia. Em vez de trabalhar somente para aumentar cliques ou aparecer nos primeiros resultados de uma busca convencional, empresas começam a pensar em como seus produtos serão interpretados por sistemas automatizados antes mesmo de o consumidor acessar uma loja virtual.
Microsoft propõe estratégia dividida em três etapas
O playbook da Microsoft organiza essa preparação em três grandes objetivos: ser descoberto, ser escolhido e compreender os resultados. A primeira etapa envolve disponibilizar dados adequados por meio do Microsoft Merchant Center para que agentes consigam identificar e interpretar corretamente os produtos oferecidos por uma empresa. (Microsoft Advertising)
A segunda envolve estar presente no momento em que a decisão ocorre. A Microsoft aponta ferramentas como anúncios desenvolvidos para experiências de IA no Bing e Copilot, além do Copilot Checkout, que permite concluir determinadas compras dentro da própria experiência conversacional. A companhia também trabalha com Brand Agents, agentes personalizados que podem conversar com clientes utilizando informações e características da própria marca. (Microsoft Advertising)
A terceira etapa está relacionada à mensuração. Recursos de AI Visibility no Microsoft Clarity permitem analisar quais plataformas de IA citam determinada empresa, quais assuntos são relacionados à marca e como usuários encaminhados por sistemas de inteligência artificial se comportam depois de acessar seu site. (Microsoft Advertising)
Da busca tradicional para a recomendação por IA
Uma das maiores mudanças está na forma como consumidores encontram produtos. Em uma busca tradicional, uma pessoa pode pesquisar diferentes opções, abrir várias páginas, comparar preços e finalmente decidir onde comprar. Com assistentes de IA, parte desse processo pode acontecer dentro de uma única conversa.
Um consumidor pode simplesmente informar orçamento, finalidade e preferências. O assistente analisa as informações disponíveis e reduz centenas ou milhares de possibilidades para uma pequena seleção. Nesse cenário, entrar na lista de recomendações da inteligência artificial passa a ser uma nova disputa de visibilidade para as marcas. (Microsoft Advertising)
Isso também modifica conceitos tradicionais de otimização digital. Além do SEO direcionado aos mecanismos de busca, empresas começam a acompanhar estratégias associadas à chamada Generative Engine Optimization (GEO), voltadas à compreensão de como conteúdos e marcas são encontrados, interpretados e utilizados por sistemas generativos. O Microsoft Clarity, por exemplo, passou a fornecer informações sobre consultas de fundamentação, citações e participação de autoridade em tópicos relacionados às marcas. (Microsoft Advertising)
Agentes podem participar até da conclusão da compra
A estratégia da Microsoft não se limita à recomendação. A companhia está desenvolvendo infraestrutura para permitir que algumas etapas comerciais aconteçam diretamente dentro das experiências de IA. O Copilot Checkout, por exemplo, foi criado para possibilitar que consumidores concluam compras sem abandonar a conversa com o Copilot. (Microsoft Advertising)
A empresa afirma que, nesse modelo, o comerciante continua sendo responsável pela venda e mantém sua relação com o cliente, enquanto sistemas existentes de pagamento, impostos, prevenção a fraudes, entrega e conciliação permanecem integrados ao processo. Atualmente, a elegibilidade do Copilot Checkout descrita pela Microsoft é limitada a comerciantes em inglês que vendem para consumidores dos Estados Unidos em dólares. (Microsoft Advertising)
A infraestrutura apresentada inclui ainda integrações com plataformas e empresas de pagamentos e comércio eletrônico. O objetivo é criar um ecossistema no qual descoberta, recomendação e transação possam acontecer dentro de interfaces conversacionais.
Publicidade entra na era dos agentes de IA
Para anunciantes, a principal consequência é uma mudança no público que precisa ser convencido. Pessoas continuam sendo as responsáveis pelas necessidades e preferências que originam uma compra, mas algoritmos podem assumir parte crescente do processo de pesquisa, comparação e seleção.
Isso não significa que identidade visual, reputação e storytelling deixarão de importar. Esses elementos continuam fundamentais para estabelecer relações entre consumidores e marcas. Porém, qualidade dos dados, disponibilidade das informações e capacidade de ser interpretado corretamente por sistemas de IA passam a integrar a estratégia de marketing.
A Microsoft resume sua abordagem em uma preparação de 90 dias para empresas interessadas em adaptar sua estrutura ao comércio agêntico antes da temporada de compras de fim de ano. Mais do que apresentar uma nova ferramenta publicitária, o movimento sinaliza uma transformação potencialmente maior: marcas começam a disputar espaço não apenas nas telas vistas pelas pessoas, mas também dentro das decisões intermediadas pelas inteligências artificiais. (Microsoft Advertising)
Fontes
Microsoft Advertising — How businesses win when AI does the shopping
Microsoft Advertising — Prepare for the Age of AI Shopping