As marcas mais amadas do Brasil foram mapeadas em 36 categorias na edição de 2026 do Net Love Score (NLS), estudo anual realizado pela Ecglobal, empresa de pesquisa e inteligência do consumidor do Grupo Stefanini. O levantamento avalia a relação dos brasileiros com empresas de diferentes segmentos e considera dimensões como reconhecimento, uso, preferência, fidelidade e conexão emocional.
Divulgada em 28 de setembro de 2026, a pesquisa ampliou o escopo em relação à edição anterior, que havia analisado 33 categorias. Entre os segmentos contemplados estão alimentos, bancos, aplicativos de mobilidade, serviços de entrega, automóveis, cervejas e energéticos. A edição deste ano também incluiu ferramentas de inteligência artificial baseadas em grandes modelos de linguagem.
Ser conhecida não significa ser uma marca querida
Um dos pontos centrais do estudo é a diferença entre notoriedade, utilização e vínculo afetivo. Uma marca pode ser amplamente conhecida e fazer parte da rotina dos consumidores, mas isso não significa necessariamente que tenha construído uma relação emocional proporcional com seu público.
Para observar essa dinâmica, o NLS analisa o chamado território das categorias. A proposta é cruzar o quanto uma marca é reconhecida, sua capacidade de converter conhecimento em uso e a intensidade da conexão estabelecida com os consumidores. O resultado oferece uma leitura mais ampla do desempenho de marcas do que uma simples medição de lembrança ou participação de mercado.
Na lista divulgada pelo Meio & Mensagem, a Nestlé aparece na liderança das categorias de biscoitos doces e laticínios. A Bauducco ocupa o primeiro lugar em bolos e pães, enquanto Uber e iFood lideram, respectivamente, aplicativos de mobilidade e aplicativos de entrega.
O levantamento também aponta o Nubank como destaque na categoria de bancos, a Heineken entre as cervejas e a Red Bull entre os energéticos. Os resultados mostram como a força de uma marca pode estar associada a diferentes fatores, como presença no cotidiano, experiência de uso, identificação com o público e capacidade de gerar preferência.
Inteligência artificial entra no radar do branding
A inclusão da inteligência artificial é uma das principais novidades da edição de 2026. Segundo a Ecglobal, esse mercado ainda está em formação e apresenta fronteiras menos definidas do que categorias tradicionais de consumo. Uma mesma pessoa pode recorrer a ferramentas diferentes conforme a tarefa, o dispositivo ou o contexto de utilização.
Por esse motivo, a pesquisa separou dimensões como notoriedade, uso e afeição ao analisar as ferramentas de inteligência artificial. A iniciativa cria uma linha de base para acompanhar a evolução da disputa entre marcas do segmento nos próximos anos, à medida que os consumidores desenvolvem hábitos e preferências mais definidos.
Para profissionais de marketing, a entrada da IA no estudo reforça que a construção de marca não depende apenas de visibilidade. Confiança, utilidade percebida e qualidade da experiência também podem influenciar a forma como os usuários avaliam ferramentas que ainda ocupam um território relativamente novo no mercado.
Como o estudo foi realizado
A pesquisa foi conduzida integralmente pela internet durante julho de 2026, com 3 mil homens e mulheres de diferentes regiões do Brasil. A amostra foi organizada de acordo com os perfis de consumidores de cada categoria avaliada, utilizando o painel proprietário da Ecglobal.
De acordo com as informações divulgadas, o painel reúne mais de dois milhões de respondentes ativos. O indicador Net Love Score considera a intensidade do amor declarado, a preferência, a fidelidade e a amplitude da marca entre os usuários de determinada categoria.
Com essa metodologia, o estudo procura diferenciar marcas que apenas alcançam alta exposição daquelas que conseguem transformar presença em preferência e relacionamento. A leitura é relevante para empresas, agências e anunciantes interessados em compreender como os vínculos de consumo se formam no Brasil.
A edição de 2026, portanto, combina categorias já consolidadas no cotidiano dos brasileiros com um segmento emergente. Ao incluir a inteligência artificial no ranking, o levantamento amplia a discussão sobre o futuro do branding e sobre os critérios que podem fazer uma marca ser lembrada, escolhida e, principalmente, valorizada pelos consumidores.