Novo Nordisk troca WPP por Omnicom em conta de mídia nos EUA e acirra disputa por Ozempic e Wegovy

Diego Velázquez
Diego Velázquez

Mudança coloca a Omnicom à frente da estratégia de mídia americana da farmacêutica em um momento decisivo para suas principais marcas.

A Novo Nordisk promoveu uma mudança importante em sua estratégia publicitária nos Estados Unidos. A farmacêutica dinamarquesa escolheu a Omnicom como sua nova agência responsável pelo planejamento e compra de mídia no mercado americano, substituindo a WPP. A decisão foi divulgada em 7 de agosto de 2026 e envolve algumas das marcas farmacêuticas mais conhecidas do mundo atualmente, entre elas Ozempic e Wegovy. (Adweek)

A movimentação chama atenção não apenas pelo tamanho da conta, mas pelo momento competitivo enfrentado pela companhia. Estimativas publicadas pelo mercado colocam o investimento anual relacionado à operação acima de US$ 600 milhões, embora valores possam variar conforme a metodologia utilizada. A mudança acontece enquanto a Novo Nordisk enfrenta forte competição da Eli Lilly no mercado de medicamentos para obesidade e diabetes e trabalha para sustentar o crescimento de Wegovy. (Marketing Report)

Para profissionais de marketing e branding, a pergunta central é clara: por que uma empresa dona de marcas tão reconhecidas decide reorganizar sua estratégia de mídia justamente quando seus produtos estão no centro da atenção mundial? A resposta passa por competição, eficiência publicitária e pela necessidade de transformar enorme notoriedade em preferência de marca.

Omnicom assume mídia da Novo Nordisk nos Estados Unidos

A Omnicom passará a atuar como agência de mídia da Novo Nordisk nos Estados Unidos, ficando responsável pelo planejamento e pela compra de mídia. A informação foi confirmada por um porta-voz da farmacêutica à Adweek, que classificou a movimentação como uma importante vitória para o grupo publicitário. A conta estava anteriormente sob responsabilidade da WPP, tornando a decisão mais um capítulo da intensa disputa entre grandes holdings por clientes globais. (Adweek)

A mudança também tem impacto estratégico para a WPP. O grupo vem atravessando um período de transformação e registrou queda de 5,6% em receita no primeiro semestre de 2026, enquanto executa um plano de recuperação de três anos. Perder uma operação ligada a marcas com o alcance de Ozempic e Wegovy aumenta a atenção sobre a capacidade das grandes redes de publicidade de defender contas em um mercado no qual tecnologia, dados e eficiência de mídia estão ganhando peso nas decisões dos anunciantes. (Adweek)

Para a Omnicom, o ganho coloca o grupo no centro de uma categoria que movimenta enormes investimentos em comunicação. O mercado de medicamentos GLP-1 deixou de ocupar apenas discussões médicas e passou a influenciar conversas sobre comportamento, alimentação, bem-estar e consumo. Nesse ambiente, administrar mídia significa muito mais do que comprar espaços publicitários: envolve definir públicos, canais, frequência, contexto e formas de construir diferenciação em uma categoria que ganhou enorme exposição cultural.

O tamanho estimado da conta ajuda a dimensionar a importância da decisão. Publicações especializadas apontaram investimento anual superior a US$ 600 milhões, e a transição para a nova estrutura está prevista para o quarto trimestre de 2026. (Marketing Report) Para gestores de marca, a movimentação demonstra como uma troca de agência pode funcionar como parte de uma reorganização mais ampla quando as condições competitivas do mercado mudam rapidamente.

Ozempic e Wegovy enfrentam uma nova etapa da batalha pela atenção

A decisão acontece enquanto a Novo Nordisk vive um cenário paradoxal. Seus produtos alcançaram extraordinária notoriedade global, mas a companhia enfrenta pressão competitiva crescente, especialmente da Eli Lilly. Na divulgação dos resultados mais recentes, a empresa elevou suas projeções de vendas e lucro para 2026, embora investidores tenham reagido negativamente ao desempenho abaixo das expectativas da versão oral de Wegovy e aos resultados relacionados ao CagriSema, medicamento de próxima geração desenvolvido pela companhia. (Reuters)

A versão em comprimido de Wegovy tornou-se uma peça importante da estratégia comercial da Novo Nordisk. No segundo trimestre, suas vendas chegaram a aproximadamente 3,22 bilhões de coroas dinamarquesas, ligeiramente abaixo das expectativas de analistas citadas pela Reuters. Ao mesmo tempo, o Wegovy injetável registrou vendas muito maiores, demonstrando a escala que a franquia já alcançou. (Reuters) Esse cenário aumenta a importância de uma estratégia de comunicação capaz de trabalhar diferentes produtos e públicos dentro de uma categoria cada vez mais competitiva.

Do ponto de vista de branding, notoriedade não é necessariamente sinônimo de domínio permanente. Uma marca pode se tornar praticamente sinônimo de uma tendência e, ainda assim, perder participação quando concorrentes oferecem alternativas percebidas como superiores, mais convenientes ou mais acessíveis. Ozempic tornou-se um nome extremamente presente na cultura popular, enquanto Wegovy é uma das principais marcas da Novo Nordisk especificamente voltadas ao tratamento da obesidade. A missão do marketing é transformar essa atenção em associações de marca consistentes e sustentáveis.

Existe ainda uma particularidade importante nesse setor: publicidade farmacêutica opera sob regras e responsabilidades muito diferentes das encontradas em categorias tradicionais de consumo. Comunicação, informação médica, regulamentação e reputação corporativa precisam coexistir cuidadosamente. Isso torna decisões de mídia particularmente estratégicas, porque alcance sem contexto adequado pode não produzir o resultado desejado. Para uma companhia global, encontrar eficiência dentro dessas restrições exige integração entre dados, planejamento, criação e gestão de reputação.

O que a troca de agência ensina aos gestores de marcas

A primeira lição para profissionais de marketing é que liderança de categoria não elimina a necessidade de revisar parceiros e estruturas. Pelo contrário, quanto maior a pressão competitiva, mais importante se torna avaliar se planejamento, tecnologia, dados e compra de mídia estão acompanhando os objetivos do negócio. A Novo Nordisk está realizando essa mudança enquanto tenta fortalecer sua posição em um mercado no qual a concorrência avança rapidamente. A troca da WPP pela Omnicom, portanto, deve ser entendida dentro desse contexto estratégico mais amplo. (Adweek)

A segunda lição envolve a diferença entre fama e preferência. Ozempic alcançou um nível incomum de reconhecimento fora do universo farmacêutico, mas o objetivo comercial da Novo Nordisk não pode depender apenas dessa notoriedade espontânea. A companhia precisa construir valor para diferentes produtos, comunicar suas propostas corretamente e disputar consumidores e profissionais de saúde em uma categoria que continuará recebendo novos medicamentos. Uma estratégia sofisticada de mídia pode ajudar justamente a organizar essas diferentes jornadas.

Para anunciantes brasileiros, o episódio também ilustra uma transformação mais ampla no relacionamento entre marcas e grandes grupos de comunicação. Contas de mídia são avaliadas cada vez mais pela capacidade de conectar tecnologia, mensuração, dados e execução em escala. O trabalho das agências não termina na negociação de espaço publicitário; ele precisa demonstrar como investimentos contribuem para crescimento, construção de marca e vantagem competitiva. Quanto maior o orçamento, maior tende a ser a cobrança por integração e resultados mensuráveis.

A escolha da Omnicom pela Novo Nordisk mostra, por fim, que grandes movimentos publicitários frequentemente revelam mudanças importantes no próprio negócio do anunciante. Em um momento de forte competição com a Eli Lilly e de expectativas elevadas em torno da nova geração de medicamentos contra obesidade, controlar a narrativa e alcançar os públicos certos tornou-se ainda mais relevante para a farmacêutica. (Reuters)

Para gestores de marca, a principal mensagem é que reconhecimento conquistado hoje não garante liderança amanhã. Marcas poderosas precisam continuar investindo em distribuição, comunicação, inovação e diferenciação para preservar sua posição. Ao colocar uma nova holding à frente de sua mídia americana, a Novo Nordisk sinaliza que a batalha entre Ozempic, Wegovy e seus concorrentes também será disputada no território da publicidade, da atenção e da construção de marca.

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