Em um contexto marcado por metas ambientais rígidas e clientes atentos à origem dos materiais, Elias Assum Sabbag Junior, empresário do setor plástico, dimensiona o desafio de conduzir a gestão empresarial sem perder competitividade. O polipropileno empregado na fabricação do plástico corrugado é reciclável, o que permite reaproveitar aparas e peças ao fim da vida útil. Aproveitar tal característica, contudo, exige processos internos organizados, que vão da separação de resíduos à contabilização dos ganhos, e não apenas boas intenções declaradas ao mercado. Para o plástico corrugado, a facilidade de moagem e de reprocessamento amplia as alternativas de reaproveitamento interno.
Como estruturar o reaproveitamento de aparas na fábrica?
A produção de chapas e peças gera aparas de corte e refiles que, bem separados, podem retornar ao processo como matéria-prima secundária. Para isso, a fábrica precisa de áreas de coleta identificadas por tipo de resina e por cor, evitando contaminações que comprometam a qualidade do material reprocessado. O volume reaproveitado em relação ao total adquirido de resina vira um indicador de eficiência, comparável mês a mês. Quando acompanhado de metas por turno, o índice orienta ajustes de ferramental e de planejamento de corte que reduzem o desperdício na origem. O plástico corrugado descartado, quando limpo, também pode ser reaproveitado.
Do ponto de vista de Elias Assum Sabbag Junior, o reaproveitamento interno deve ser tratado como rotina de produção, e não como ação pontual de sustentabilidade. A diferença aparece no custo, pois cada quilo de material recuperado evita a compra de resina nova, e no registro, que sustenta relatórios exigidos por clientes que auditam o desempenho ambiental de seus fornecedores. Treinar as equipes para identificar o material correto em cada ponto da linha é um passo básico para que o sistema funcione. Sistemas de pesagem e de registro por lote tornam esses números verificáveis.

De que modo o plástico corrugado reutilizável altera o planejamento comercial?
Vender uma embalagem projetada para durar muitos ciclos muda a lógica da receita. Em vez de repor o volume integral a cada pedido, o fornecedor passa a dimensionar um conjunto de caixas ou separadores que circula entre fábrica e cliente, com reposição parcial por desgaste e perdas. O relacionamento se torna mais longo, apoiado em contratos de fornecimento e no acompanhamento das devoluções, o que deixa a previsão de demanda menos volátil. Em contrapartida, o capital imobilizado nas embalagens em circulação pede análise financeira cuidadosa. Cada embalagem que retorna ao ciclo representa uma compra de insumo que deixa de ocorrer.
Na concepção de Elias Assum Sabbag Junior, o diálogo com o cliente desde a fase de projeto evita sobredimensionamento e ajuda a definir espessura, formato e quantidade ideais para cada rota. Peças personalizadas, com cores e impressões que identificam o destinatário, facilitam a devolução correta e reforçam a organização do fluxo. O alinhamento prévio reduz o risco de estoques parados em um dos pontos da cadeia e melhora a rotatividade das embalagens em uso. Embalagens com identificação visível também reduzem extravios e confusões entre clientes.
Quais indicadores acompanham a transição para práticas circulares?
Medir é o que separa a prática circular de um discurso institucional. Indicadores como o percentual de material reciclado incorporado, a taxa de retorno das embalagens reutilizáveis, o consumo de energia por quilo produzido e o volume de resíduos enviados a aterros oferecem um retrato objetivo da operação. A origem da energia também entra na conta, pois fábricas abastecidas por fontes limpas reduzem a pegada de carbono do produto final. A coleta regular desses dados permite comparar períodos e apontar onde a melhoria é mais viável.
Resultados de curto prazo nem sempre aparecem, adverte Elias Assum Sabbag Junior, pois a recuperação do investimento em equipamentos de moagem, sistemas de coleta e capacitação ocorre ao longo de meses. Por isso, convém definir metas escalonadas, revisadas em reuniões periódicas da diretoria, e comunicar os avanços com transparência a clientes e colaboradores. Empresas que documentam cada etapa constroem um histórico confiável, útil em auditorias e em processos de certificação, como a ISO 9001. Quando a diretoria acompanha os números com regularidade, ajustes de rota ocorrem antes que pequenos desvios se acumulem.