Recuperar crédito tributário é sempre vantajoso? O que a empresa precisa avaliar antes de transformar crédito em caixa?

Cameron Hartley
Cameron Hartley
Victor Maciel

Identificar um crédito tributário costuma ser tratado, dentro das empresas, como sinônimo de dinheiro garantido. A prática mostra outra realidade: um crédito só se sustenta quando existe uma cadeia completa de comprovação por trás dele, origem do valor, data de reconhecimento e documentação que evidencie o pagamento indevido ou a maior. Sem esse conjunto, o pedido fica exposto à glosa, ao indeferimento ou à necessidade de retificação posterior, o que transforma uma aparente oportunidade financeira em fonte de risco.

O advogado tributarista Victor Maciel, fundador do escritório de advocacia Victor Maciel Advogados, frequentemente se depara com essa contradição em empresas que tratam a identificação do crédito como etapa final do processo, embora, na prática, essa etapa seja apenas o início do processo tributário. Antes de pleitear qualquer compensação, é essencial compreender as distinções entre um crédito seguro e um crédito vulnerável. Este artigo visa esclarecer essas distinções de forma clara e objetiva.

Riscos que aparecem depois da compensação

Compensar um crédito que depois é glosado pelo fisco não devolve a empresa à situação original. Ela passa a dever o valor originalmente compensado, agora acrescido de juros e multa, além de ficar mais exposta a fiscalizações futuras sobre outros pontos da própria apuração. Esse tipo de reviravolta costuma pegar gestores de surpresa, já que o crédito havia sido tratado, até então, como recurso já garantido.

Esse cenário se agrava quando o erro está em aspectos formais, como códigos de compensação incorretos, documentação incompleta ou créditos que já haviam sido utilizados anteriormente sem que a empresa percebesse a duplicidade. São falhas que, isoladamente, parecem pequenas, mas que somadas costumam ser suficientes para justificar a glosa integral do valor pleiteado.

Conforme profissionais especializados nesse tipo de processo, como Victor Maciel, o risco concentra-se, sobretudo, em situações em que se busca uma rápida geração de renda, fazendo com que a urgência em gerar caixa supere uma verificação cuidadosa dos elementos que sustentam o crédito identificado. Em geral, essa pressa não é vantajosa, pois não permite que o processo seja revisado com a atenção necessária.

Victor Maciel
Victor Maciel

Integração entre áreas é crucial para a utilização adequada de créditos tributários  

Um crédito tributário resistente a questionamentos passa por três filtros que raramente acontecem de forma espontânea na rotina fiscal das empresas, informa Victor Maciel. O primeiro é jurídico e verifica se a tese que fundamenta aquele valor está de fato pacificada ou ainda sujeita a controvérsia relevante nos tribunais superiores. O segundo é documental, reunindo notas fiscais, apurações e declarações que comprovem, de forma consistente, a origem exata do montante reivindicado.

O terceiro filtro é operacional e confirma se aquele crédito específico já não foi utilizado em algum processo anterior, um erro mais comum do que se imagina em empresas com áreas fiscal, contábil e financeira pouco integradas entre si. Passar por esses três filtros antes de protocolar qualquer pedido reduz de forma significativa a chance de surpresas desagradáveis mais adiante no processo.

Segurança como parte do valor recuperado

Tratar segurança jurídica como parte inseparável do próprio valor a ser recuperado muda a forma como esse tipo de projeto deveria ser conduzido dentro das empresas. Um crédito bem documentado converte-se em caixa disponível; um crédito mal fundamentado converte-se, mais cedo ou mais tarde, em passivo, e a diferença entre os dois cenários raramente está no valor identificado.

A atuação de escritórios especializados em recuperação de créditos tributários, como o Victor Maciel Advogados, tem se concentrado na construção prévia desse tipo de verificação antes da formalização dos pedidos, compreendendo que a rigidez do processo é parte integrante do próprio valor entregue ao cliente, não se constituindo uma etapa burocrática adicional.

No fim, a pergunta que realmente importa não é apenas quanto a empresa tem a recuperar, mas se cada valor identificado resiste a um exame mais detalhado antes de virar caixa. Empresas que incorporam essa verificação como rotina, e não como exceção, tendem a transformar recuperação de crédito em ganho consistente, sem o risco de ver esse ganho revertido meses depois.

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